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Prólogo

Quem se submerge no Mistério da Paixão do Senhor, não pode evitar os sentimentos de dor e compaixão, pelos terríveis maus-tratos que os homens dispensaram a seu Salvador.

Como homem, Jesus experimentou as piores dores que pode suportar um ser humano: ultrajes, socos, ofensas, ferimentos em todo o seu corpo... Foi tratado como se tivesse sido um assassino, um inimigo da humanidade.

Com expressões de muito impacto, os evangelistas nos descrevem as circunstâncias que acompanharam Jesus naqueles momentos fatais. Certamente estes textos passaram em várias ocasiões sob os nossos olhos, mas muitas vezes de forma tão fugaz que não pudemos penetrar na mensagem profunda que contém aquela realidade histórica.

O presente livro narra e descreve alguns dos acontecimentos mais relevantes de nossa Redenção. Durante dois meses, por várias horas diárias, Jesus convida Catalina – a autora destas páginas - a viver, a contemplar seus últimos momentos na cruz, e ao mesmo tempo a meditar sobre suas últimas palavras.

Aquelas “últimas palavras”, que jamais perderão sua força, adquirem um significado particular à luz dos acontecimentos que vive o homem de hoje, envolto em materialismo, violencia, perda de sentido; cegado por sua soberba, ao ponto de se atribuir o direito de manipular a vida, de sufocá-la, de decidir sobre o destino dos demais…

Sem dúvida, vivemos em um mundo marcado pela cultura da rivalidade e da morte, que promove o hedonismo em suas expressões mais aberrantes, enquanto se formulam leis cada vez mais distanciadas da fé, dos verdadeiros valores. É como se em tudo o que o homem faz, procurasse excluir de maneira sistemática e obstinada a seu Criador, a tal ponto que, para muitos, falar de Deus na cultura de hoje é um anacronismo, um atropelamento da razão.

Enquanto isso, os que cremos estamos conscientes de que há um grande enfraquecimento da prática de nossa fé, de nossa capacidade e disposição para rezar, de nosso compromiso com Deus. A ausência de motivos para sustentar a fé vem nos levando à preguiça espiritual, à perda do zelo pelas coisas do Senhor, à confusão e às mais diversas maneiras em que o mal se manifesta.

Observando este mundo, damo-nos conta de que precisa de um freio - como diz o Papa João Paulo II - precisa de uma nova evangelização que faça resplandecer com renovadas forças a presença de Deus, que re-oriente o mundo para Cristo, nossa esperança; para sua misericórdia; convidando a todos para que voltem a olhar para a Cruz, para poder acalmar a tormenta que o inimigo comum desencadeou sobre o mundo e para endireitar os caminhos dos homens.

Estas páginas são um convite especial para você, irmão sacerdote, irmão consagrado, irmão leigo - que está envolvido na efervescência da atividad e do pensamento humano - um chamado para que redescubra o significado do trabalho pelos interesses de Cristo.

Nós esquecemos o valor da cruz, do sofrimento, da penitência; por isso não estamos respondendo como deveríamos ao mandato recebido, que é o de ir por todo o mundo e pregar a Boa Nova do Evangelho.

Quando Jesus fala a Catalina referindo-se aos consagrados, Ele lhe diz: “Diz às almas consagradas que a cruz que carregam não é apenas para que adorne seu peito […] devem revestir-se dela, devem aprender a ‘acomodar-se’ nela em lugar de fugir dela […] não podem ambicionar o Tabor sem antes passar pelo Gólgota [...] A cruz é onde se aprende a caridade, a humildade, a pobreza em espírito, a temperança…”

Mas acontece que, com a mentalidade de hoje, tudo o que se refere à cruz, ao sufrimiento, à renúncia, nos parece obsoleto; fugimos de tudo aquilo que implica em penitência ou mortificação, não vemos sentido nisso...

No entanto, as palavras de Cristo no Evangelho “Se queres Me seguir, toma tua cruz e segue-me!” não perderam a validade. Se de fato estamos dispostos a configurar nossa vida à Dele, então veremos que são muitas as roupagens mundanas das que teremos que nos depojar e nos libertar.

Cristo continua sofrendo nos membros de Seu Corpo místico, sofre no ancião abandonado, no pobre, no doente, no encarcerado, no faminto, no órfão… Será que podemos aliviar esta dor? Tomar consciência disso é começar a curar as chagas e as feridas do próprio Cristo.

A atitude passiva é própria daquele que está sendo subjugado pelo inimigo. O inimigo comum não incomoda aqueles que já lhe estão sujeitos, estes de fato negam sua existência, negam o inferno, creem estar livres das tentações porque tudo já lhes parece normal; perderam a consciência do pecado e por isso não precisam evangelizar; estão convencidos de que sua vocação consiste, no melhor dos casos, em amar a seu próximo como a si mesmos, mas esquecendo-se de cultivar sua relação pessoal com Deus através da Cruz

Chegou o momento de abrir os olhos a esta realidade terrível que está dizimando nossa Igreja. A falta de convicções, a ausência de um compromisso sério, a falta de oração, são sintomas que mostram claramente que nosso inimigo não está dormindo, mas age incessantemente para arrebatar almas e arrancar-nos de nossos deveres. Este texto é um grito desesperado de Jesus à Igreja e à humanidade, para que todos reconheçamos nossa necessidade de viver uma verdadeira e profunda conversão.

Os editores