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Segunda Palavra

Jesus estava sozinho e nesse momento encontrava em Dimas todo o amor que queria ter encontrado em Seus Apóstolos. Aquela homem tinha até se atrevido a defendê-lo, enquanto os outros, os que Ele amava, exceto João, tinham fugido covardemente para não se comprometer e cair junto com Ele.

Parecia que os Seus, em mais de dois anos, não tinham sido capazes de crer verdadeiramente em Suas Palavras, pois do contrário estariam ali, junto dEle.

Este homem, Dimas, e alguns minutos acreditou em Sua parte Divina, por ouvir de seus lábios algumas palavras, uma súplica ao Pai, tinha descoberto a Verdade e o Caminho para a Vida

Ele estaba vendo Jesus agonizar, com a Paz dos que nada têm a temer, com a Esperança dos que sabem que há algo em que esperar. Dimas quis crer nesse “algo” porque estava diante da própria Esperança.

Com muito cansaço pelo esforço e pela dor, com a emoção de ter visto a Luz, pronunciou as palavras que o levariam à santidade: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres no Teu Reino!...”

Essas palavras equivalem às que hoje dizemos no confessionário: “Padre, perdoa-me, porque pequei”.

Na noite anterior, enquanto Jesus sofria o início de Sua Paixão para salvar pecadores como cada um de nós e como Dimas, o “bom ladrão” não suspeitava sequer que sairia de sua prisão insultado, cuspido, repudiado, na qualidade de “mais um maldito”, para encontrar-se com a Fonte do Amor Misericordioso. Ignorava que ao entardecer chegaria ao Palácio do Rei dos Reis, pelo braço do Príncipe da Paz.

E Jesus viu nesse malfeitor o amigo. Porque amigo é aquele que confia em alguém, que lhe entrega sua confiança sem medo. Amigo é aquele que se apieda de ti nos teus momentos de sofrimento, não aquele que acrescenta sal às tuas feridas…

Amigo é aquele que quer permanecer a teu lado e ir contigo até o fim, sem ouvir os gritos dos condenados, dos que acusam, injuriam, insultam e querem te ver morrer da forma mais terrível, porque seu coração está cheio de crueldade.

Esse olhar de Jesus substituiu o abraço que desejava lhe dar, assim como hoje abraça todo aquele que Lhe confia e consagra sua alma. Em meio a Suas lágrimas e espasmos, sorriu e com uma voz cheia de ternura prometeu:

“Em verdade te digo que hoje mesmo
estarás Comigo no Paraíso”

Mais uma vez, Jesus estendendo Seus braços amantes ao pecador, exaltando acima dos justos aquele que se arrepende e se humilha.

Com efeito, não será o mais santo dos que morreram até esse dia quem entrará primeiro na Glória. Nem sequer serão os Profetas e Mártires que causarão a “festa no Céu”. É um ladrão, um assassino talvez, um homem repudiado pela sociedade… o primeiro Santo canonizado em vida e pelo próprio Jesus: “São Dimas”.

Dizem que os pólos opostos se atraem: a pobreza cativa o Senhor, a miséria o atrai, o pecador é Seu grande desafio. Por isso Se rebaixou até nossa condição humana, para que unidos a Ele nos libertássemos de toda amarra. Por isso, novamente se encontram os dois extremos: de um lado, as mãos vazias do homem e do outro, o Amor Infinito de Deus.

Dois extremos unidos somente por dois sentimentos, por duas atitudes: a humildade e a Misericórdia, que juntas constroem sempre a ponte da salvação.

Ditoso és tu, Dimas, que foste merecedor da primeira gota salvífica do Sangue do Redentor, somente pela força de tua Fé e Sua infinita Misericórdia! Feliz és tu, meu irmão, que não causaste a Jesus a decepção que Lhe proporcionam hoje muitos daqueles que deveriam reconhecer Sua voz e amá-Lo mais.

Bem-aventurado és tu, Bom Ladrão, que foste capaz de esquecer teus sofrimentos, para compadecer-te dos outros.

Por isso mereceste a Graça que Deus mesmo te desse a absolvição, transformando teu pecado em fogo resplandecente do Amor Divino: porque foste valente até para ensinar teu companheiro Gestas e portanto, da cruz, estavas evangelizando, a exemplo dAquele a quem acabavas de conhecer.

Assim, pois, Dimas estava dando a seu companheiro todo o seu patrimônio na hora da morte, oferecia-lhe tudo o que possuía: fé, uma fé nova mas firme, a esperança na Misericórdia do Senhor para obter a vida eterna e a caridade, ao convidar-lhe a compadecer-se do Sofredor.

Agora me pergunto e pergunto a todos os meus irmãos: E nós, que somos capazes de dar por este Amor que Se entrega para nos salvar? Talvez o que nos sobra?...

E nos sentimos “generosos” quando damos alguns alimentos ou roupas ou outro tipo de ajuda material a quem mais necessita, mas... Quantas vezes estamos conscientes de que é obrigação nossa dar a nossos irmãos algo além de pão e roupa?

Não tenho a menor dúvida, estas coisas são necessárias e ainda mais em tempos de carestia, de fome ou de dificuldades, mas temos que ter consciência de que “não só de pão vive o homem…”

E se estamos conscientes de que as riquezas materiais, ou o ter muito que comer e beber, não produzem a felicidade verdadeira no homem; que existe uma permanente insatisfação nos que vivem na luxúria, na avareza e em outras concupiscências da carne...

Se aprendemos que a fama e as honras não nos condizirão à verdadeira felicidade, porque são glórias efêmeras, transitórias...

Se comprovamos que não é imprescindível nem a saúde do corpo, nem o riso grosseiro e a agitação, nem as amizades unicamente mundanas, para se viver feliz de verdade…

Por que não estamos levando a Deus nossos irmaõs, por que nãos lhes estamos levando Sua Palavra, o Amor que temos conhecido, a Fé que nos faz testemunhas? Não nos damos conta da gravidade de nossa omissão!

Deus ama a quem dá com alegria. Deus supre nossas necessidades. Quando damos com alegria, nossa fé e nosso amor, então estamos repletos, como um celeiro imenso do qual outros poderão vir recolher um grão bom para levá-lo, por sua vez, aos mais necessitados.

Durante um dos encontros que tivemos nestes dias, ao chegar a este ponto Jesus me disse: “O núcleo de Minha Mensagem foi essa felicidade de que Eu gozaba e que era fruto do Amor e da entrega a Meu Pai e a vós, os homens. Tudo o que disse e fiz, foi para que de Minha profunda alegría se contagiassen tambem os demais; para que o gozo de Meus discípulos fosse verdadeiro e chegasse também à sua plenitude, como o Meu.”

“Filha Minha – continuou o Senhor – esta dura luta que estou vivendo, com a carne machucada que clama por seus direitos, com as trevas que se fecham ao Meu redor e longe daqueles por quem dou a vida, fazem com que eu sinta uma angústia de morte, carregando em Meu Ser todo o Amor que sinto pelas criaturas que esperam por redenção. A angústia e a pena acrescentam dor a Meu Corpo, cada vez mais debilitado por todo esse sangue que escorre por Minha pele em conseqüência desta duríssima prova.”

“Felizes de vós, os que aceitais compartilhar MInhas dores e Meus amores; ditodos os que aceitais voluntariamente esta comunhão com Meus sentimentos mais profundos, este compenetrar-se com Meus desejos de entrega mais profundos; este viver a Minha própria condição de crucificado na extraordinária lição que não se acaba nunca.”