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Capítulo II – O Cordeiro de Deus

“Quando João me apresentou, ele não o fez como a seu parente, mas disse: 'Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo' (Jo 1,29). Nesse instante, João, iluminado pelo Espírito Santo, recordou a fala de Abraão a Isaac quando este estava para ser imolado por seu pai: 'Deus providenciará o cordeiro para o holocausto' (Gn 22,8); era uma figura do verdadeiro Cordeiro de Deus: Eu mesmo, que seria imolado para salvar o homem.

2) Todo o cerimonial dos judeus estava centrado na figura do cordeiro e de seu sangue. João, como filho de um sacerdote, conhecia o ritual que se fazia diariamente, no Templo,
pela manhã e pela tarde: a oferta de um cordeiro como sacrifício para pedir perdão pelos pecados...

3) Quando os israelitas esperavam ser libertos do jugo do Faraó, foi-lhes ordenado que imolassem um cordeiro para cada casa, para marcar o umbral de suas portas e das colunas com esse sangue, naquela terrível noite em que Deus atravessou o Egito para ferir de morte todos os primogênitos.

4) Diferentemente dos lares israelitas, em todas as casas dos egípcios havia um morto. Deus havia dito: 'Vendo o sangue, passarei adiante' (Ex 12,13). Quem se resguardou com o sangue do cordeiro foi salvo, a Palavra de Deus lhes assegurava que ali o destruidor não entraria”.

5) Eles estavam no interior da casa, constituindo os sinais tradicionais e característicos da comunhão; mas era o sangue do cordeiro que os salvaria da morte para introduzi-los em uma etapa de liberdade, de vida, de luz e de paz. Era esse sangue a ponte entre Deus e Seu povo resgatado.

6) Quando os israelitas receberam os dez mandamentos através de Moisés, ofereciam seus sacrifícios no átrio do tabernáculo, uma vez por ano, no “dia da Expiação”, que hoje seria como a Sexta-feira Santa.

7) Jesus voltou à Sua catequese: “Na Bíblia podeis encontrar muitíssimas alusões ao cordeiro, relacionadas com o pecado do homem, ao cordeiro imolado, que era a porta para entrar na Presença de Deus para adorá-Lo.

8) O israelita não tinha nada a acrescentar ao sangue no propiciatório. O 'pão sem levedura' e as 'ervas amargas' eram necessárias; mas não eram em si o fundamento da paz.

9) O cordeiro, além de ser útil com sua carne e sua lã, representava mansidão, inocência, bondade, pureza...

10) Na maior festa que tinham, durante a Páscoa, todo o povo se congregava e executavam dois sacrifícios que se uniam em um, pedindo perdão por seus pecados:

11) Selecionavam um cordeiro macho que matavam, cozinhavam e comiam, em memória da saída da escravidão no Egito. Esse sangue era aspergido sobre o propiciatório, uma espécie de canal que cobria a Arca da Aliança.

12) Todos os israelitas comiam do cordeiro pascal em uma santa comunhão. Os resgatados comiam em comunhão com Deus e em comunhão com os outros resgatados.

13) Hoje Eu vos reúno ao redor de Mim e vos alimento com Meu Corpo e Meu Sangue em uma Santa comunhão; a Santa Missa é hoje a expressão visível dessa união comum Comigo.

14) O outro cordeiro sacrificado devia ser um cordeiro absolutamente branco, sem mancha alguma na lã. Os israelitas se aproximavam e tocavam por alguns segundos o cordeirinho, colocando assim 'suas mãos manchadas' como um símbolo que deixavam seus pecados sobre o animalzinho.

15) Diziam umas orações e depois o levavam até um precipício e de lá o jogavam, para que levasse com ele os pecados de todos.

16) Como a ofensa a Deus crescia incontrolavelmente e os sacrifícios do Antigo Testamento não tinham o valor e a dignidade necessária para limpar a ofensa a Deus, Minha Divindade somaria uma inigualável dignidade à Minha natureza humana, completa e perfeita, e por isso mesmo, Meu Sacrifício teria méritos infinitos e inesgotáveis...”


...


17) Quantas coisas preciosas o Senhor vai nos ensinando, e que horizontes pouco conseguimos vislumbrar quando nos adentramos na Palavra de Deus! Hoje compreendo que dizer “Cordeiro de Deus” é dizer Plano de Deus, Salvação e Vida Eterna... Dizer Cordeiro de Deus, é dizer Libertação e Perdão Divino.

18) O Cordeiro de Deus é a Segunda Pessoa do Deus Uno e Trino, que tomou um Corpo para morrer pela humanidade e dar-se como a justificação e perdão de seus pecados. Se Jesus não tivesse morrido, se Ele continuasse até agora percorrendo os caminhos, fazendo o bem, curando, ressuscitando, o véu do templo não teria se rasgado, abrindo ao homem arrependido o caminho de livre acesso a Deus.

19) Jesus, como Cordeiro pascal, teve a missão não somente de “carregar o pecado do mundo”, de fazer-se pecado Ele mesmo, revestido de nossas culpas, as também de tirá-lo.

20) Jesus foi condenado à morte ao meio-dia da vigília pascal, isto é, na mesma hora em que habitualmente os sacerdotes degolavam os cordeiros pascais.

21) Jesus foi crucificado ao lado de um precipício, da mesma forma que o cordeiro sem mancha era lançado vivo a um precipício para “tirar os pecados” dos israelitas.

22) Quando Jesus morria, rasgou-se o véu do Templo, que separava dos homens o lugar sagrado em que se encontrava a Arca da Aliança. Ali podia entrar somente o Sumo Sacerdote, no dia da Expiação, para aspergir o propiciatório com o sangue do cordeiro...

23) Jesus, com Sua morte, rasgava esse véu de separação, abrindo para a humanidade as portas do Céu, para dar passagem aos que quisessem se salvar, porque Sua missão não era – como no caso do cordeiro – limpar os pecados individuais de Seu povo, mas acabar definitivamente com o poder do próprio pecado.

24) Até a vinda de Jesus, os Israelitas recordariam sempre que sua redenção, o perdão de seus pecados, era possível somente pelo sacrifício diário e pelo sangue do cordeiro aspergido no propiciatório...

25) Hoje Jesus é a perfeita e absoluta propiciação, porque é o mediador entre o Pai e os homens. Descobrimos que não é somente a vida de obediência de Cristo que nos ganha o perdão de nossos pecados, mas Sua morte da Cruz – que também se revive diariamente na Sagrada Eucaristia – nos abre um belo caminho de liberdade em direção ao amor de Deus.

26) Devemos recordar com gratidão que, pelo sangue derramado por nosso Salvador, o pecador arrependido precisa apenas fixar seus olhos no Cordeiro de Deus para ser transformado, de modo que toda dúvida e temor, todo pecado e escuridão, sejam convertidos em esperança, em virtude, em luz, e em confiança absoluta.

27) Não há outro caminho, o único resgate válido, já pago, é o maior sacrifício de reconciliação com Deus, e é nossa fé que nos coloca na posse de uma paz que ninguém nem nada no mundo nos pode dar nem tirar.

28) Jesus continua agindo e fazendo milagres. E hoje como ontem esta linguagem é incompreendida pelo espírito soberbo ou ateu, mas é recebida por aquele que, sabendo que nada é impossível para Deus, abre-se aos requisitos da fé e do Amor. Os frutos que se verão em seguida, indicarão que Deus deixou ali Sua assinatura.

29) Se levarmos em conta São Paulo, quando diz a Timótio: “Eu sei em quem coloquei minha fé”, notaremos que ele não se firmava apenas no que os outros diziam do Senhor, mas que ele mesmo cria em Jesus, porque O tinha visto...

30) Essa é a opção que muitos cristãos ainda não fizemos: abrirmo-nos ao Senhor, abrir nosso coração para que Sua Graça nos encha e possamos ter um verdadeiro primeiro ou segundo encontro com Jesus.

31) É Jesus quem chega por todos os lados e nos abarca, e nos fortalece quando nos sentimos esgotados e cansados. Trocamos nossa fraqueza por Sua força quando confiamos nEle. Deus age e Jesus continua Se manifestando na Igreja de hoje, como na Igreja nascente.

32) Para Jesus não importa o teu exterior. Ele jamais olhará se tens um título, se possuis bens materiais ou careces deles, se és aplaudido pelos homens ou se te rejeitam...

33) Deus não usa vasos bonitos, perfeitos e finos para guardar Sua fragrância, mas escolheu usar vasilhas de barro defeituosas, rachadas, frágeis, para enchê-las de Sua Glória. A meditação no valor do sacrifício de Jesus Cristo deve nos levar a esta maravilhosa conclusão.

34) Aquele Cordeiro de Deus que foi imolado, conquistou para o homem a possibilidade de chegar à Glória Celeste... O mérito de Seu suplício colocou-O junto ao Trono do Pai e desse Trono de Amor emana o manancial da Graça que dá vida a todos os que dele bebem.

35) É por isso que, cada vez que estendemos a mão amorosa para nossos irmãos, cada vez que buscamos saciar a sede de Deus nos outros, bebemos um gole desse manancial.

36) Nós não dependemos do que somos, mas somente do que Jesus Cristo é. Por isso, quem se aproxima de Deus, por meio de Jesus, é identificado com Ele e aceito em Seu Santo Nome, pois o Pai não rejeita o Filho, assim como não rejeita aqueles que se aproximam com Seu Filho.

37) Jesus disse que é aqui que se reproduz a união hipostática da natureza humana com a Divina: o homem que se converte é visto em Cristo, aceito nEle e como Ele, e associado a Ele em sua vida, pois sua confiança já não está na posse de seus bens, nem sequer em si mesmo, mas nAquele que tudo pode.

38) O Santo Padre João Paulo II, durante uma Missa em Cuba, disse que o Espírito sopra onde quer, e que está nos convidando a tomar consciência de que neste momento histórico a Igreja está recebendo um novo alento vital, e que essa primavera não vem dela mesma, nem é para ela: vem do Espírito do Senhor e é para servir o povo.

39) Disse que a Igreja não pode ensimesmar-se em seu próprio crescimento enquanto a comunidade humana da qual faz parte precisa de seu alento, de sua palavra, de suas obras, da Verdade e da Justiça que vive e anuncia.

40) “A Igreja, ao levar a cabo a sua missão, propõe ao mundo uma justiça nova, a justiça do Reino de Deus (cf. Mt 6, 33). Em diversas ocasiões referi-me aos temas sociais. É preciso continuar a falar disto, enquanto no mundo existir uma injustiça, por pequena que seja, pois do contrário a Igreja não seria fiel à missão confiada por Jesus Cristo.

41) Está em jogo o homem, a pessoa concreta. Ainda que os tempos e as circunstâncias mudem, há sempre quem necessita da voz da Igreja, para que sejam reconhecidos as suas angústias, os seus sofrimentos e as suas misérias. Os que se encontram nestas circunstâncias podem estar certos de que não serão defraudados, pois a Igreja está com eles e o Papa abraça, com o coração e com a sua palavra de alento, todo aquele que sofre a injustiça.” (Homilia na Praça José Martí de Havana, Cuba, nº 5).