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Capítulo IV – A hora da verdade

“Estive presente no Templo para dar cumprimento à Escritura...

2) Eu falava com a autoridade que Me dava a certeza de
que Minha Presença dava cumprimento à Lei e ao que os
Profetas haviam dito séculos antes. Eu era o Filho ao qual o
Pai havia entregue todas as cosias, e as pessoas identificavam
quem falava. Eu não interpretava a doutrina dos Profetas,
mas estava e apresentando como um homem completamente
investido do poder que pode vir somente de Deus.

3) Quando, pregando no monte, Eu disse 'Vós ouvis o
que foi dito...' (Mt 6,1-2), os dirigentes religiosos ficaram muito
incomodados.

4) Eu jamais usei o termo 'Messias', que foi anunciado pelos
Profetas, mas aquela passagem de Daniel que fala de Mim
como 'o Filho do Homem', para que não alimentassem sua
falsa crença de que chegaria um líder político para libertá-los
do jugo romano. Eu não havia nascido em uma grande vila,
mas em um pobre presépio, não chegava para tomar posse
de um reino na terra com soldados e guardas.

5) O Meu era um anúncio que trazia consigo sua própria
força, clara e transparente. Eu era um simples carpinteiro,
que chegava para pregar a bondade, o perdão, a justiça e o
amor. Meu anúncio era o anúncio que põe a qualquer um
frente às suas próprias contradições, com aquela evidência
que penetra e muitas vezes desconcerta.

6) Eu devia anunciar o Reino de Meu Pai, e para isso vim:
para ensinar-vos que todos tinham um Pai bom, amoroso,
capaz de amar até entregar o mais precioso para ganhar a
salvação de sua criatura; mas ao mesmo tempo devia também
realizar obras de libertação nos homens, ensiná-los a necessidade de lutar em nome do Evangelho contra tudo o que oprime
e possui a criatura. Não apenas devia pregar a Boa
Nova de Deus, como mostrar que Eu sou a Boa Nova e que
ajo em consequência.

7) Meu dever era ensinar que tinha vindo destruir toda soberania,
autoridade ou poder que ferisse os homens: as possessões,
as enfermidades físicas, psíquicas, espirituais. Além
disso, Meu ensinamento foi e é categórico, porque não é somente
palavra, mas gesto. Minhas Palavras têm o poder de
libertar e de curar.

8) Fique para vós o ensinamento de que deveriam pronunciar
Meu Nome somente aqueles que reconhecem Minha
autoridade, os que a confessam e dão testemunho de fé.

9) Um apóstolo da nova evangelização não pode se conformar
apenas com o anúncio do Evangelho, mas deve ser
tão forte seu carisma e a certeza de sua fé, que leve sua pregação,
seu testemunho de vida, a libertar o homem de todo
pecado e do mal que o oprime.

10) Deveis testemunhar Minha benignidade, conseguir que
vossas palavras se imponham por si mesmas, com a força do
Espírito Santo. Que vossas palavras e vossas ações falem ao
coração do homem de maneira que resplandeça sua verdade.

11) Deveis saber que toda atitude deverá demonstrar que
seguis para o alto, em direção ao crescimento e à livre plenitude
do homem, e não dar a impressão de que vossas ações
são somente para usar um nome, dominando e subjugando
os outros.

12) Deveis reconhecer os Meus entre os que não fazem
propaganda de si, buscando compensação alguma.

13) Muitas vezes será vosso prêmio o sofrimento, mas isso
não deve vos amedrontar. Não vos quebrantareis nem vacilaO
Rosto Visível do Deus Invisível – pág. 35
reis. Sempre confiante, o servo Meu transmitirá Minhas Palavras
e seus sentimentos até quem está a ponto de se extinguir.
Sua postura é firme e inquebrantável no cumprimento
de seus deveres.”


...


14) Nesse momento, Jesus me instruiu concedendo-me a
Graça de me mostrar passagens de Sua Vida e fui contemplando
diante de mim muitas cenas. Por exemplo, vi coo nessa
época existiam as sinagogas ou casas de oração em todos
os povoados e mesmo nas pequenas aldeias, onde acudiam os
judeus para fazer sua oração e a leitura e aprendizagem das
Sagradas Escrituras. Eu pensava que havia essas sinagogas
apenas nas grandes cidades. Agora se me revelava um mundo
completamente desconhecido, uma época ignorada.

15) Nessas reuniões, quem presidia a oração ou a reflexão
convidava uma pessoa qualquer para se dirigir aos demais. Os
escribas interpretavam e expunham ao povo as passagens das
Sagradas Escrituras, mas não davam uma opinião pessoal,
citando as opiniões dos Profetas, dos anciãos ou dos mestres
sábios.

16) Pude ver Jesus que ia pregando nas sinagogas, partindo
da Galileia até Nazaré, o povoado onde se havia criado.

17) Em uma destas sinagogas, aconteceu que o convidaram
a ler as Escrituras. Todos estavam sentados no chão, Ele
foi até o lugar onde se colocava aquele que lia e explicava as
Escrituras. Sua figura de pé ali, imponente, serena, era diferente
da dos outros homens, embora estivesse vestido como
todos eles. Via-se que Sua Presença possuía uma autoridade
que nascia de dentro, como se o iluminasse uma luz própria...

18) Todos puseram sua atenção nesse Homem que impunha
respeito. Seu olhar claro passou por um momento por
toda a assembleia, apenas uma piscada, e muito dentro dEle
essa oração contínua com o Pai.

19) Ouviu-se Sua voz, cheia de matizes, lendo o rolo que
continha a profecia de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre
mim... (Is 61,1-2_ (Lc 4,18-19).

20) Depois de enrolar a Escritura e entregá-la ao Ministro,
Ele olhou novamente para toda a assembleia, levantou um
pouco o rosto e com autoridade disse: “Esta escritura que acabais
de ouvir se cumpriu hoje”. Vi claramente a toda a assembleia
em absoluto silêncio, não sei se desconcertados, mas
maravilhados pela personalidade tão segura do Senhor.

21) Esses homens nazarenos, como todos os israelitas, vinham
esperando o Messias, mas na sua medida. Nunca perceberam
que aquele que esperavam tinha estado compartilhando
com eles vários anos de Sua Vida, como um carpinteiro,
até esse sábado.

22) Ele sabia que não seria bem recebido justamente lá,
porque nenhum Profeta jamais foi bem recebido em seu próprio
povo, entre os seus. Foi assim que, quando Ele começou
Sua pregação e citou o Profeta Elias e depois o Profeta Eliseu,
eles se encolerizaram, porque consideraram um atrevimento
Seu comparar-se com eles.

23) Não quiseram abrir seu coração, puseram-se de pé,
sem o menor respeito pelo Templo, e começaram a levantar
os punhos e a ameaçar Jesus que os olhava imperturbável,
mas com compaixão. Esta atitude do Senhor os punha ainda
mais furiosos, de modo que quando Ele foi passando por entre
eles para sair, empurraram-no para fora e depois o perseguiram,
proferindo insultos, e acusando-o ameaçavam matálO.

24) Jesus passou diante deles, e sem responder aos seus
insultos e ameaças se foi com tristeza no espírito, porque não
O Rosto Visível do Deus Invisível – pág. 37
haviam entendido as Escrituras, porque não se deixavam libertar
de suas misérias. Foi-se sereno e majestoso; tanto, que no
final não se atreveram tocá-Lo.

...


25) Eu me dou conta de que hoje, assim como antes, o
profundo do coração humano guarda sempre a esperança de
uma Boa Notícia. Através dos séculos, os homens foram “materializando”
esta espera, e assim se foram entregando à busca
desenfreada de um “paraíso terrestre”.

26) O homem ainda sonha com novidades promissoras,
como a próxima era das “viagens espaciais”... Todos sempre
esperam um futuro melhor.

27) Grande parte da humanidade, ainda prostrada nas trevas,
precisa de uma intensa luz, que é encontrada somente
por quem abre sua vida para Jesus, aceita-O e vive nEle. Somente
esse homem ou mulher pode dizer que é um ser livre,
logicamente apesar de suas limitações e misérias pessoais.

28) Assim como o Antigo Testamento foi guia para o povo
de Deus, as Sagradas Escrituras devem hoje nos iluminar,
libertar e guiar nossa existência. Jesus não disse apenas um
montão de palavras Ele é a própria Palavra de Deus. Sua missão
consistia em anunciar e começar a realizar o Reino: um
mundo novo para os homens, uma nova maneira de viver.

29) Jesus é essa Palavra que hoje nos convida a nos reunir
e incorporar à Sua Igreja. Jesus é a Palavra que nos julga e
assim nos liberta das trevas, dos momentos de incerteza e desorientação.
Jesus é a Palavra qu enos exige uma conversão
contínua. Jeus sé a Palavra que enche de sentido nossa vida e
abre os corações dos homens à esperança.

30) Jesus não quis deslumbrar Seu povo com o brilho de
Seus milagres: não realizou diante deles a multiplicação dos
pães e peixes, nem converteu a água em vinho simplesmente
para endossar Sua missão. Pelo contrário, ela se baseia em
Sua ação diária, quando evangelizava os pobres, anunciando
o perdão e devolvendo “a vista aos cegos”, a liberdade aos
presos do pecado e pregando “um Ano de Graça do Senhor”.

31) É o Espírito que tudo movo, e é somente no Espírito
Santo que vai poder cumprir Sua missão até o final, porque
diante da força do Santo Espírito, tudo o que vem do homem
perde sua consistência e fracassa. As palavras proclamam as
obras e nos vêm a explicar seu mistério. Daí em diante nos
confirmará, ao cumprir com Sua missão Salvífica, o Reino de
Deus que anunciava ao dizer: “Hoje se cumpriu esta passagem
que acabastes de ouvir”.

32) O mesmo podemos dizer os seguidores de Jesus cada
vez que algum pobre receber nossa atenção, ou um pecador o
perdão, ou um doente a cura ou a assistência digna: “Está se
cumprindo a Escritura!”.

33) Cada vez que um homem trabalha para que os outros
homens conheçam o Evangelho, para que saibam que são
filhos de um Deus bom que os ama e que são irmãos uns dos
outros, “Está se cumprindo a Escritura!”.

34) Cada vez que homens e mulheres se aproximam de
Jesus e acolhem Sua Palavra com fé “Está se cumprindo a
Escritura!”.

35) Toda vez que um homem repete que quer viver em
um mundo de amor e não de guerra, cada vez que um homem
proclama que é preciso nos dar as mãos de verdade,
esquecer rancores, ressentimentos e posturas irreconciliáveis,
“Está se cumprindo a Escritura!”.

36) Jesus me disse então: “Vim libertar o homem para
que se sentisse 'realmente homem', capaz de utilizar sua inteligência
e sua vontade com retidão.

37) Quis que o homem fosse capaz de se levantar contra
ele mesmo, penetrando no mais profundo de seu ser para
acabar de derrubar o que de antigo e feio traz dentro de si,
para que aflore o que possui de esplêndido e admirável, lançando
longe de si as cadeias de seu egoísmo, de tudo aquilo
que o faz sentir o centro do universo, descartando todos os
outros seres que o integram.

38) Quis que fosse capaz de sentir-se, com todas as suas
consequências, filho e herdeiro de Deus e irmão dos homens.

39) Vim para libertar o homem do pecado que encerra
em si a inversão da escala de valores, que faz com que, em
lugar de buscar o Reino de Deus e sua justiça o ser humano
busque a própria e direta satisfação acima de tudo.

40) Vim libertar o homem, para que desaparecesse da terra
o ódio, a guerra, a violência, a prepotência, a dor desnecessária
causada por suas próprias mãos: a injustiça, a miséria,
a opressão, a tolerância.

41) Vim para construir o homem novo, capaz de colaborar
na realização da nova terra e dos novos céus. Por isso pude
dizer que em Mim se cumpria a Escritura que naquele
momento acabava de ler e que falava da libertação do homem.”

42) Jesus sabia que, além dos romanos, eram os escribas
e fariseus que oprimiam diariamente esse povo, que devia suportar
as estruturas opressoras de sua época. Por isso durante
sua pregação falava tanto de “o Reino dos Céus”...

43) É que Jesus trazia o Reino de Deus em Si mesmo e
queria nos mostrar que o Plano de Deus era muito diferente
daquela realidade – como é hoje da nossa – para nos dar a
esperança e a força que nos permita trabalhar para mudar as
coisas.

44) Por isso diria um dia aos Seus discípulos: “Felizes os
olhos que veem....” (Lc 10,23-24).

45) O Reino de Deus não era para Jesus uma visão distante.
O próprio Jesus estava no meio desse Reino, empenhado
na luta contra outro reino: o das trevas. Como nós não podemos,
por nós mesmos, lutar contra esse reino obscuro, Ele
vem para que a força de Deus seja infundida na fraqueza do
homem.

46) Jesus não quer que, igual a Nicodemos, nós O vejamos
somente no escuro, de noite, para não sermos criticados
pela sociedade como “fanáticos” ou “piedosos demais”. Bendita
piedade se ela vai te levar ao Céu! Bendito fanatismo se
tens a coragem de fazer o que Jesus quer! Todos devemos
dar testemunho aberto de nossa Fé.

47) Como o Reino é o dom de Deus por excelência, o valor
essencial que se deve adquirir à custa de tudo o que se
possua, devemos ter a certeza de que a esse “conhecimento
de Cristo” deve seguir uma necessária decisão: é preciso que
nos convertamos, devemos buscar continuamente o rosto de
Deus para poder abraçar as exigências desse Reino. Não será
jamais algo que se possa considerar como um salário devido
por justiça: Deus contrata livremente os homens em Sua Vinha
e dá a cada um de Seus operários o que bem Lhe parece
(Mt 20,1-16).

48) Mas deve-se levar em conta que, ainda que tudo seja
graça, os homens devemos responder a esta graça, e para
isso se requer uma alma de pobre, uma atitude de criança,
uma busca ativa do Reino e de Sua justiça, a perseverança em
meio das perseguições, o sacrifício e doação de tudo o que se
possui. Em síntese, uma justiça maior que a dos fariseus: o
O Rosto Visível do Deus Invisível – pág. 41
cumprimento da Vontade do Pai, especialmente no que toca
ao amor fraterno.

49) Tudo isto é um requisito para aquele que quiser entrar,
já desde agora, no Reino de Deus.

50) Ainda agora nos diz Jesus:

51) “Eu vos urjo a trabalhar em vosso apostolado, não para
serdes vistos pelos homens, mas para agradar-Me e ajudar-
Me a salvar os homens, vossos irmãos. Vosso trabalho deve
ser realizado todo e unicamente por Deus, que é quem abençoa
vossas obras e afãs”.

52) No entanto, em grande parte estes sinais de autenticidade
não acontecem se não existe fé. Isto é: a fé se confirma
pelos fatos, mas os fatos não acontecem sem a fé. Por isso,
os que creem veem, mas os que não creem não podem ver.

53) O Senhor oferece paz e sossego a todos que se encontram
oprimidos pelas angústias da vida. O coração compassivo
de Jesus nos oferece o descanso e o consolo para todas
as nossas penas.

54) É por isso que os trabalhos e os sofrimentos, aceitos
como permitidos pela mão de Deus e olhados com um critério
sobrenatural, longe de ser uma carga são um benefício para
todo ser humano, pois nos abrem as portas do Céu.

55) O plano da salvação é realizado por obras e palavras
intrinsecamente unidas. Assim vemos que na pregação de Jesus,
os atos acompanham as palavras. Ele anuncia uma palavra
que se cumpre: os sinais acompanham a pregação.

56) Ele quer nos guiar explicando-nos os passos que devemos
dar para edificar esse homem novo, que será parte de
uma nova humanidade, na qual possamos viver como verdadeiros
irmãos.

57) Mas levemos em conta, na hora de evangelizar, que a
fé nasce da experiência que outra pessoa viveu e nos transmitiu.

58) Se esta experiência nos parece convincente pelos efeitos
que vimos nela, então cresce a fé em nós e nos aproximamos
para poder receber a salvação.

59) Assim, a edificação de nossa vida, o testemunho de
ter tido esse “grande encontro” com Jesus, deve servir para
semear a semente de fé na qual Deus colocará Sua Graça,
para salvar outro irmão.