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Capítulo I – Às margens do Jordão

Alguém perguntou uma vez a Jesus o quê devia fazer para ganhar uma recompensa eterna. O Senhor lhe respondeu que quem pensava que devia praticar a religião somente buscando uma recompensa para a eternidade estava enganado a respeito de Deus.

2) Decerto este homem acreditava que Deus é como um banqueiro, que olha somente os números. Evidentemente ignorava por completo que a única lei válida para Ele é o amor.

3) Quem ama de verdade sempre se considerará devedor, e a última coisa em que pensará é que o recompensem por seu amor. Por isso Jesus nos ensinou que quando dermos esmola o façamos procurando que nossa mão esquerda não saiba o que faz a direita, porque receber uma esmola é quase sempre uma humilhação, que somente com o amor com o qual se dá é capaz de aliviar. Isto é, a única esmola que não fere é a que se identifica plenamente com o necessitado e compartilha co ele o pouco ou muito que tem porque desta forma não cabe vaidade naquele que dá, nem humilhação em quem recebe.

4) Penso que Jesus fala a todos nós com este exemplo e ensinamento. Mas não somente no que se refere à esmola material, mas também à “esmola” que mais vale, que é compartilhar nosso conhecimento de Deus com os outros.

5) Dizem que o Evangelho bate, e tem que ser assim, porque é a Palavra lançada ao mundo por Deus, e porque Jesus possuía uma profunda visão da realidade; é que ainda neste tempo, essa Palavra dá Sua própria validade ao passado, para integrá-lo ao hoje, uma vez que abre uma grande porta de esperança para o amanhã.

6) O Evangelho nem sempre é totalmente claro para os homens, mas é como um pequeno cristal, que à semelhança de um caleidoscópio, ao ser observado em diferentes momentos, faz com que cada um de seus ângulos emita uma luz diferente.

7) Um dia, enquanto eu estava em oração, o Senhor falou ao meu coração. Disse-me que aproveitasse ao máximo este tempo de Graça que Ele está concedendo à humanidade, que hoje põe a culpa em Deus por tudo o que de mal acontece na terra, sem ver que é o próprio pecado do homem, que brinca de ser Deus, o que está destruindo este mundo.

8) Como em outras ocasiões, Jesus foi me mostrando imagens com muitos detalhes, cenas de Sua vida, ensinandome com uma paciência enorme, e instruindo-me e animandome para que não tivesse medo de testemunhar Seus ensinamentos diante dos homens.

9) Vi Jesus caminhando, até um lugar onde havia muita gente. Estava indo se fazer batizar por aquele Profeta enérgico que falava uma língua nova e admoestava, gritava, adoçava a voz e depois novamente se mostrava irritado.

10) Era João batizando as pessoas, chamando-as para a conversão. Jesus não tinha do que se arrepender, mas quis participar deste ato, por meio do qual o povo limpava seus
pecados. Então Ele me disse: “Quando senti que Meu tempo havia chegado, depois de muitas horas em oração, na comovedora e sempre nova União Hipostática, da qual falaremos mais adiante, decidi partir da Galileia para ser batizado por João no Rio Jordão”.

11) O Senhor foi se aproximando lentamente do Jordão, escutando a voz de João que dizia às multidões que vinham a ele de toda parte para que as batizasse: «Raça de víboras! Quem vos ensinou a fugir da ira iminente? Fazei, pois, uma conversão realmente frutuosa e não comeceis a dizer: Temos Abraão por pai. Pois vos digo: Deus tem poder para destas pedras suscitar filhos a Abraão. O machado já está posto à raiz das árvores. E toda árvore que não der fruto bom será cortada e lançada ao fogo. Perguntava-lhe a multidão: Que devemos fazer? Ele respondia: Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem o que comer, faça o mesmo. Também publicanos vieram para ser batizados, e perguntaram-lhe: Mestre, que devemos fazer? Ele lhes respondeu: Não exijais mais do que vos foi ordenado. Do mesmo modo, os soldados lhe perguntavam: E nós, que devemos fazer? Respondeu-lhes: Não pratiqueis violência nem defraudeis a ninguém, e contentai-vos com o vosso soldo.» (Lc 3,7-14).

12) Jesus havia se sentado sob uma árvore, na parte alta do caminho pelo qual se descia até o rio, para contemplar a cena e escutar João. Sentiu uma profunda ternura por aquele que, pobremente vestido, sacudia as consciências dos homens.

13) Pensou nos israelitas vagando pelo deserto em busca da Terra Prometida; eles tinham uma nuvem que, como um véu protetor, cobria-os e os protegia. Todos os que passaram o Mar com Moisés foram “batizados” na nuvem e no mar, que os protegeu para se livrarem dos soldados do Faraó.

14) O Batismo que João lhes administrava agora era uma espécie de veste ou manto protetor. Um banho divino que trocava a veste manchada pelo pecado, quando aqueles homens se arrependiam e se deixavam submergir nas águas do Jordão.

15) Deus revelou a João como devia iniciar o batismo na água e quem o faria no Espírito Santo. O Céu se abriria e o Reino de Deus se aproximaria dos que se batizaram.

16) Jesus me disse: “Vou te instruir um pouco: o batismo é parte do processo da salvação e é um ato de Fé, é um modo de mostrar publicamente que crês em Deus e em Sua Palavra e que estás disposto a abandonar a vida do pecado e ter acesso ao perdão através do arrependimento. Lembra-te: “Quem crer e for batizado, será salvo; mas quem não crer, será condenado” (Mc 16,16).

17) Nessa época, aqueles que se consideravam justos e que mais sabiam de Deus foram os que desobedeceram esta ordem e não foram batizados, portanto também não se arrependeram: “Os fariseus, porém, e os doutores da lei, recusando o seu batismo, frustraram o desígnio de Deus a seu respeito.” (Lc 7,30). Assim, o batismo é uma forma de morrer e também de ressuscitar”.

18) Eu O escutava absorta, Ele me explicou as coisas como a uma criança, com paciência e doçura, durante muitas horas.

19) Jesus se pôs em pé novamente e começou a caminhar em meio aos que iam até João para ser batizados.

20) Nesse momento João escuta uma voz interior, como se saísse de seu peito, de seu coração que está batendo forte: “Já venho, João, já estou perto...”

21) João sente uma doçura imensa que o envolve, uma energia que conhece, mas que ao mesmo tempo desconhece em toda sua grandeza. Sabe que chega... e o anuncia.

22) «Eu vos batizo com água, em sinal de penitência, mas aquele que virá depois de mim é mais poderoso do que eu e nem sou digno de carregar seus calçados. Ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo. Tem na mão a pá, limpará sua eira e recolherá o trigo ao celeiro. As palhas, porém, queimá-las-á num fogo inextinguível.» (Mt 3, 11-12).

23) Nesse momento João diz que chegará outro com mais poder, reconhece publicamente que é maior que ele, sabe que Aquele que vem será capaz de infundir segurança em Seus seguidores, pois é alguém que responde às esperanças de uma humanidade que deseja um mundo melhor. Somente pode batizar com o poder do Espírito Santo Aquele que está cheio dEle e será esse mesmo Espírito que guiará a Jesus através de Sua missão.

24) Enfim João vai poder vê-Lo, enfim sua missão será coroada. Mas, como será? Poderá reconhecê-Lo?... Ergue os olhos para o céu, o sol o ofusca por um momento, mas em seguida volta a ocultar-se entre as densas nuvens – seria um presságio do que vinha? Não sabe, está confuso, mas uma força, uma energia sobre-humana o envolve, tem vontade de cantar, de gritar, de sacudir todas aquelas pessoas. Queria poder lhes dizer tudo o que está sentindo e... novamente escuta: “Chegou a hora, João, prepara teu espírito!”

25) Depois de batizar um homem quase ancião, sente como que uma corrente de energia que o sacode. Olha para a frente e vê Jesus, seu parente... O assombro se reflete em seu rosto, mas o olhar de Jesus lhe diz tudo.

26) “Quando todo o povo ia sendo batizado, também Jesus o foi. E estando ele a orar, o céu se abriu e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba; e veio do céu uma voz: «Tu és o meu Filho bem-amado; em ti ponho minha afeição» (Lc 3,21-22).

27) Jesus me disse: “Nesse momento ficou aberto o limite entre o mundo divino e o humano; o precipício que havia entre o homem e Meu Pai, criado pelo pecado do homem ficava suprimido por aquela ponte de amor e de obediência. Eu vinha cumprir a Vontade Suprema de salvar o homem.

28) Eu era Deus e homem; ante os olhos do mundo, pecador e inocente. Mas aquele que é divino não deve se admitir à custa do humano, nem o humano deve sobressair à custa do divino. O anterior é João, sua mensagem, sua urgência; o presente em Mim, que era a Palavra, era Deus mesmo saindo ao encontro do homem, para conduzi-lo para o caminho da salvação... Consequentemente, Deus se compraz no Filho amado, isto é, no único com Quem desde a eternidade se unia na complacência.

29) Meu Pai não podia se comprazer em nenhum outro homem, pois todos nasceram com o pecado original, e para Meu Pai o pecado é abominável. Mas Eu fui nascido por obra do Espírito Santo, não engendrado no pecado, e portanto, puro desde minha concepção, e isso fazia com que o Pai encontrasse em Mim Sua complacência. Também com isso admitia Minha verdadeira missão: o mistério da cruz.

30) Nesse momento Eu aceitava Minha missão e João se submeteu a Mim, e desse modo se abriu ao Meu plano, aceitando-o e submetendo-se a ele.”


...

 

31) Na Vigília da Epifania, a Liturgia do Rito Oriental diz: “Hoje o Senhor inclina a cabeça debaixo da mão do Batista e Precursor. Hoje São João batiza o Senhor nas ondas do Jordão. Neste dia é a falha dos mortais que o Senhor afoga nas ondas. Ele é o Meu Filho Bem-Amado; tal é o testemunho que do Alto o Mestre recebe hoje. Neste dia eis que o Senhor em pessoa santifica a natureza das águas”. (Texto em português obtido do documento http://www.igrejaortodoxa.com/pdf/matinasdetheofania.pdf [visitado em 27/09/2014])

32) Finalmente o Pai havia unido a esses dois gigantes da fé, aqueles parentes: Jesus, mais alto e forte que João, era muito mais jovem, mais delicado ao mesmo tempo, tranquilo e muito varonil, de olhar profundo e claro, parecia um príncipe disfarçado em meio ao povo, vestido como qualquer homem que estava ali.

33) Ali estavam juntos, Ele e aquele tosco e magro homem, vestido com pelo de camelo e um cinto de couro, próprio dos ascetas e dos que estavam de luto, que agora batizava e que um dia foi cuidado no ventre de sua mãe pela Santíssima Virgem Maria, a Mãe do Salvador a Quem agora tinha diante de si...

34) Que simples eram aquelas dois homens! E eram nada menos que nosso Redentor e Seu precursor, de quem Ele mesmo disse que era o maior entre os homens nascidos de mulher... Quando os homens compreenderemos que as coisas de Deus vão além das aparências externas?...

35) João havia sido cuidado pela Virgem Maria; sim, porque “a serpente” teria feito todo o possível para destruir quem seria o “precursor da Palavra”, do “Verbo de Deus Encarnado”.

36) Em que pese o momento que se vivia, quando a mulher era considerada muito pouco mais do que um animal, em uma sociedade totalmente machista, Maria havia abandonado Seu lar, José,... Poderíamos até pensar que talvez, dada sua gravidez, tenha descuidado de sua saúde; tudo para cuidar de Sua prima... Por quê?

37) Porque sabia que esse menino, gerado por obra e Graça do Senhor, assim como Seu Filho, era um milagre, pois “para Deus nada é impossível”, e Ela devia cuidar dele, Ela mesma, a que era especialmente protegida pelo Altíssimo e que havia sido coberta por Seu Poder, como por um manto, a única pessoa a quem o maligno não podia atingir e a quem não podia resistir, por Sua excelsa pureza.

38) Um cântico de Isaías diz: “Sobre ele coloquei o meu Espírito...” (Is 42,1). Por este batismo do Espírito, o batismo de água de João ganha um novo significado e passa a se
converter no símbolo do batismo do Espírito para cada um dos futuros crentes.

39) Depois do batismo, João, referindo-se a Jesus, disse: “Eu não o conhecia, mas, se vim batizar em água, é para que ele se torne conhecido em Israel. (João havia declarado: Vi o Espírito descer do céu em forma de uma pomba e repousar sobre ele.) Eu não o conhecia, mas aquele que me mandou batizar em água disse-me: Sobre quem vires descer e repousar o Espírito, este é quem batiza no Espírito Santo. Eu o vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus.” (Jo 1,31-34).

40) Claro que João já conhecia Jesus pessoalmente, e sabia de Sua vida, mas ignorava Sua dignidade de Filho do Altíssimo.

41) O Senhor me explica: “Foi surpresa para João, porque Me conhecia como seu parente, mas não sabia que seria Eu aquele a quem ele anunciava. Por isso disse “E eu não o conhecia”...”

42) Diante desta visão Jesus me explicou que João se opôs a batizá-lo, insistindo que Jesus é que deveria batizá-lo, porque Jesus estava livre de todo pecado, mas Ele não aceitou porque era necessário que fosse assim, para que esse povo tivesse um testemunho e uma sequência do que viria depois, para cumprir uma Vontade a qual Jesus e João deviam se submeter. Jesus submerge nas águas do rio Jordão, não para se purificar, mas com o fim de preparar nossa regeneração.

43) “Meu olhar foi agradecido. Disse a ele que era preciso que fosse assim porque era o primeiro passo da “Boa Nova”, transmitida por quem havia recebido a unção do Espírito de Deus diante dos homens era preciso dar fé diante dos homens para que Minha pregação fosse recebida com confiança, dada a cultura do povo.Meus discípulos dariam
testemunho de tudo que viram de tudo que ouviram, a partir do Meu Batismo.

44) Muitos dos primeiros cristãos se perguntariam depois por quê Me batizei se não era pecador como todos os homens, se não havia nascido com o pecado original, e até se fizeram grandes discussões teológicas a respeito. Não analisaram, no entanto, que batizar-Me significava deixar-Me submergir na condição humana, representada pela água. Aceitava minha condição humana com os sofrimentos e a morte. Batizar-Me antes de pregar o Reino era justamente afirmar que estava capacitado para pregar um Reino que se pode instaurar somente na lealdade do homem a Deus.

45) Meu batismo representava Meu compromisso total com o bem da humanidade, a instauração de uma nova relação humana que estava baseada na justiça, para formar uma sociedade diferente. Eu estava consciente da oposição que Minha obra teria nos círculos de poder, mas não podia demonstrar Minha inconformidade, não podia suportar a injustiça, e o amor à humanidade Me levaria mais tarde à morte no desempenho de Minha missão.

46) Da mesma forma hoje, recordo-lhes que proclamar a Boa Nova muitas vezes exige evitar as palavras doces, diplomáticas, que por vezes costumam fomentar poses e discursos enganosos, devido a interesses econômicos, sectários ou políticos.

47) Vós, aos serdes batizados, fostes submersos em Mim, incorporados a Mim, tomados por Mim, imersos em Mim, e deste modo, Comigo e em Mim, entrastes na mesma relação com Deus Pai: sois filhos de Deus. As Sagradas Escrituras vos dizem: ' Todo aquele que está em Cristo é uma nova criatura. Passou o que era velho; eis que tudo se fez novo! (2 Cor 5,17).

48) Isso vos esclarece que fostes mudados pelo poder de Deus que, cheio de Misericórdia e de Amor, quer vos ter em Seu Reino como filhos Seus.

49) Hoje, tudo isto que forma a Luz, o Caminho, a Verdade e a Vida, a Porta, o Pão da Vida: Minha Palavra, deve ser alimento e força para atravessar o duro caminho que vos cabe percorrer em vossa passagem pela terra. 50) Não vim propor um modelo a “imitar”, mas para vos mostrar a realidade do Reino de Deus, que exige de vós, os seres humanos, uma conversão radical.

51) Ao longo dos anos, a humanidade conviveu em todas as instituições com o abominável que significa o pecado “contra o Espírito”. Existiram e existem casos demais em que os homens, tendo uma espiritualidade indefinida, fugidia, tratam de dissimular seu pecado de compromisso com os poderosos, e assim não estão cumprindo sua missão profética.”

52) O Senhor me explicou que, no ambiente daquele tempo, ser o “filho de uma pessoa” não era apenas ter nascido dessa pessoa, mas também comportar-se como essa pessoa. Então, o “Filho de Deus” sentia o mesmo Amor de Deus pelo homem, possuía o Espírito de Deus e se comportava como Deus, já que era o Rosto visível dAquele Deus que era invisível para a humanidade.

53) Imediatamente, minha lembrança voltou a uma cerimônia de batismo, na qual participei há uns cinco anos. Uma pessoa que conheci, e a quem cheguei a apreciar muito, pediu-me que a representasse, juntamente com Jesús (Chucho) Solórzano, no batizado da filhinha de Manuel Capetillo. Considerei uma verdadeira honra, primeiro pelo significado de um batismo e depois porque, tanto os padrinhos titulares, Emilio e Mónica Burillo, como Chucho e Manuel, eram amigos nossos.

54) A cerimônia aconteceu em uma pequena capela próxima a Toluca, México, durante uma Missa concelebrada por nosso Diretor Geral com outro sacerdote.

55) Nesse dia, quando nos aproximamos com essa preciosa criança nos braços para que recebesse o Sacramento do Batismo, uma luz muito forte, dourada, entrou por uma janela circular que estava à nossa frente. Os sacerdotes, de costas para essa janela, eram banhados por aquela luz, a tal ponto que me impedia de distinguir seus rostos.

56) Eu soube que vinha do Senhor, porque parecia que ninguém mais se dava conta disso e pensei que também podia ser porque um dos nomes da pequena era justamente Luz.

57) Aquela cascata dourada cobria os sacerdotes, a menina e, graciosamente, como em grandes ondas, saltava de nós – os padrinhos e os pais – até um jovem que estava em uma segunda ou terceira fila, de joelhos, com as mãos juntas e olhos fechados, em profunda oração.

58) Isto durou o tempo em que se dava o rito central do batismo, e depois tudo voltou à normalidade.

59) Várias vezes, e mesmo quando havia terminado a celebração e felicitávamos os padres da criança, me espantou ver que aquele jovem continuava na mesma posição, parecia como esculpido em pedra, vivendo verdadeiramente um encontro com o Céu.

60) Jesus me disse então algo parecido com isto: “A Luz do Espírito Santo cobre do modo mais sublime a quem participa deste ditoso Sacramento. Por isso, tanto os pais como os padrinhos, e todos os que assistem a este evento tão importante na vida de um cristão – já que nele se expulsa, se lava todo pecado por herança para submergir-se nas águas da Graça – deve ser vivido com uma consciência absoluta, com um conhecimento de seu significado e das consequências do Sacramento na vida futura do batizado.

61) Os nomes que escolhem para o menino ou a menina também são muito importantes, porque é nesse momento que se fazem presentes, durante o batismo, seus Santos patronos, e se comprometem a velar pela criatura que é batizada. Por isso deveis levá-los sempre em conta, porque são vossos Santos patronos que, assim como Minha Mãe, intercederão por vós quando pedirdes sua ajuda.”

62) Quando me lembrei deste episódio, há dois dias, o Senhor acrescentou: “Agora compreendes por quê te disse no Batismo de tua neta que lhe pusesses, durante a cerimônia, todos os homens que quisesses? Recordai sempre que se se batiza cristãmente, devem-se escolher nomes cristãos, e não apenas aqueles que vos ocorrem porque vos lembrais de uma pessoa simpática ou qualquer coisa mundana”.

63) Jesus começa a realizar milagres depois de receber o Espírito no Batismo. Ungido com Espírito e Poder, inaugura a Nova Criação, lançando Sua semente, antecipando a verdadeira liberdade a que está chamada a viver a humanidade inteira.

64) “Tudo se deve fazer não de acordo com o vosso tempo, mas no tempo de Deus; recordai isto quando sentirdes desânimo porque as coisas não saem como esperais, ou no momento em que as esperais, quando decidis ou projetais vossas saídas e entradas, vosso presente e vosso futuro... Tudo está imerso no tempo do Céu!

65) Por isso, neste dia retomamos este trabalho, que não é outra coisa que uma nova tentativa de sacudir o homem da letargia e indiferença espiritual em que vive, na rapidez desta hora de angústia para toda a humanidade, de desesperança para homens e mulheres de todas as nações... e tudo por sua negação a Deus!

66) Quero que o homem tenha um encontro verdadeiro Comigo, que faça experiência de Deus. Há tantos que dizem conhecer-Me e ainda não buscaram a experiência de sentir
Minha Presença em sua vida!... Tíbios, cômodos, como aqueles outros, os de Meu tempo, e de todos os tempos!...

67) Vou explicar o que acontece quando uma alma sentiu o primeiro chamado, quando ouviu a primeira voz... Em geral, o primeiro sentimento é de incômodo. Há algo que perturba, algo que incomoda no interior do homem, e do qual é necessário se livrar... ou calar.

68) Então começa a se atordoar, a buscar ainda mais o ruído de fora, a vida mundana, o que lhe era cômodo... e se diz que está bem assim. No entanto, no fundo, cada dia se sente pior. Sabe que é mentira tudo o que está armando para cimentar uma verdade que não existe. Coloca máscaras em tudo para se convencer de que tudo está bem e que está fazendo o que realmente quer.

69) Mas é que tem o coração tão pobre, que o descontentamento é parte de sua existência. Lede tudo o que aconteceu com Saul e Davi, para entender a sequência do pecado (1 Sm capítulos 18 a 26).

70) É por isso que disse um dia: ´Bem-aventurados os puros de coração´, porque quem é limpo de coração não mente para si mesmo. Do mesmo modo poderia dizer: ´infeliz o de coração sujo, porque verá somente o mal´.

71) Vede as pessoas que estão ligadas aos vícios: elas mesmas se sentem mal. Dizem não poder se livrar deles e na verdade não querem. Desse modo, seu descontentamento cresce e os vai prendendo. Por não poderem se esforçar, incomodam-se consigo mesmos, veem que são observados, questionados pelos outros, e se lhes dizem algo, reagem violentamente, buscando vingar-se com outra palavra forte, com uma agressão... Assim como é o pecado: ata, amarra. O homem se ata a ele, se amarra, e cada vez vai caindo mais fundo.

72) Quando o homem reage, vê seu pecado, quando se confessa, é como Lázaro, que volta à vida. Quando se arrepende... é como Davi, quando se ajoelhou diante do Profeta Natã e se arrependeu (2 Sm 12). Foi ali que compôs as orações que são parte do Salmo 50, ali, naquele momento, romperam-se suas cadeias e ficou livre diante de Deus”.

73) Nessa circunstância nos damos conta de que não nos resta outra coisa a não ser tomar ou retomar o caminho do Evangelho. Esse é o segredo! É o caminho que Deus nos propõe para nos levar à verdadeira liberdade, porque podemos experimentar a verdadeira liberdade somente quando nos sentimos “filhos de Deus”.

74) A vinda do Espírito sobre Jesus significa que nEle culmina a criação, que o compromisso que fez, pelo qual participa da vida e da força de Deus, o ergue até a plena condição humana, a do Homem-Filho de Deus.

75) Pro que será que o Santo Padre, João Paulo II, nos chama tanto para este caminho da nova evangelização? O que o papa quer nos dizer com isto? Quer nos impulsionar a viver, nós mesmos, e depois a chamar o homem para uma segunda conversão, até um encontro verdadeiro e definitivo com Cristo. E agora o Senhor nos recorda que não podemos continuar sendo medíocres espirituais.

76) Há muitas pessoas que vão à Santa Missa no domingo, e até comungam, e há entre elas outras tantas que além disso também rezam o Santo Rosário... Mas também leem seu horóscopo em jornais ou revistas, também vão nos adivinhos para que lhes leiam cartas, ou consultam com médiuns, ou praticam a Yoga, ou creem nas “novas maravilhas” que a “nova era” promete...

77) Há outros tantos que depois da Missa vão a festas, e caem em tremendas bebedeiras... Estão santificando o Dia do Senhor? Este é o tipo de pessoas que são católicas porque de crianças lhes disseram que eram, talvez as puseram em uma escola católica, onde receberam o Sacramento da Confissão e a primeira Comunhão, e possivelmente o Sacramento da Confirmação. Mas jamais se aprofundaram na fé que dizem professar.

78) Jesus um dia me disse o seguinte:

79) “No meu tempo havia dois tipos de seguidores. Uns eram Meus Apóstolos, que Me conheciam, Me amavam e Me seguiam. Os outros eram os que se contentavam em escutar a meu respeito, em ir ver alguma pregação Minha, em ser testemunhas de algum milagre...

80) Hoje acontece o mesmo e até entre os Meus eleitos: não têm muito o que dizer de Mim, porque não Me conhecem. Creem que Me conhecem e que Me seguem, mas apesar disso e de serem pessoas muito boas, ainda não se encontraram com o verdadeiro Amor. Sim, tiveram uma primeira conversão, por isso estão em grupos da Igreja ou até já estiveram em seminários... Mas há tantos que ficaram ali, que não buscaram esse segundo encontro Comigo na Cruz, no Tabor, na agonia, em Minhas pregações, em Meus milagres!...
Há pessoas que estão em seitas, em outras religiões, e que dizem que fui um grande Profeta; os que praticam a religião na qual Me criei dizem que ou o homem enganador, a grande “fraude” que enganou os homens. Outros que dizem “amar Meu Pai” e não aceitam que Eu sou o Filho de Deus... ignorando totalmente a essência da Trindade..

81) Mas também há cristãos que se confessam, que vão à Missa, e que procuram Me introduzir na cidade como um caudilho, como um “Che Guevara”, como aquele líder cujos olhos estão faiscando de arrogância. Também há os que dizem constantemente: Jesus disse isto, ou Jesus fez aquilo, mas não fazem o que Eu digo...

82) Foi por isso que perguntei aos Meus discípulos: 'E vós, quem dizeis que Eu sou?...' (Lc 9,18).

83) Nesse momento o Senhor me mostrou quando, sentado, comendo entre Seus Apóstolos perto da cidade de Cesareia de Filipe, perguntou-lhes isto de repente, no meio da conversa sobre o que se dizia dEle no povoado... “E vós, quem dizeis que Eu sou?...” (Lc 9,20). Houve um silêncio, deixaram de comer. Jesus olha para todos com um olhar que parece mistura de ternura, com um sorriso e certa diversão. Por certo Ele sabia o que ia acontecer, mas o momento era muito importante...

84) A esse respeito me disse o Senhor:

85) “O momento era importante porque um homem ia ser sacudido pelo Espírito Santo. Eu vinha vindo ensinando-os, falando com eles durante muitas horas, rezando com eles, deixando-os ser testemunhas de tantos milagres e sinais. Queria ver se eles tinham entendido a mensagem, o ensinamento que queria lhes dar.

86) Alguns pensaram por fração de segundos: 'se lhe digo isto, vai me responder com aquilo...' ou 'será que devo lhe dizer isto?...' Na verdade Minha pergunta os desconcertou... os pegou desprevenidos...

87) Mas aí o Espírito Santo se revelou através de Pedro e disse: 'Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo' (Mt 16,16).

88) Tanto o testemunho de Pedro como Minha resposta posterior deixaram atônitos os outros Apóstolos. Para eles, Eu ainda era o Messias que Deus havia enviado para libertar Israel do jugo dos romanos e fundar Seu novo Reino na terra. Nem mesmo Pedro chegou a compreender a magnitude do que significou a revelação de Meu Pai, por isso lhes pedi que não comentassem com ninguém até que chegasse a hora de Minha glorificação.

89) Ainda hoje pergunto aos homens: 'E vós, quem dizeis que Eu sou?...' Quem sou Eu para cada homem que se diz 'cristão praticante' ou pessoa 'convertida'?...”

90) E é verdade, irmãos queridos: ainda hoje Jesus pergunta a ti e a mim: “E tu, quem dizes que Eu sou?” Ou seja: “Que lugar ocupo em tua vida, por quem Me tens em tua vida de cada dia?

91) Sabem de uma coisa? A Jesus não importa se sabemos ou não quem foi Simón Bolívar, ou Benito Juárez, ou Jean Paul Sartre, ou qualquer outro personagem famoso, nem mesmo os Doutores de nossa Igreja (de quem deveríamos ao menos ter ouvido falar); o que disse Ernesto Sábato ou Lênin... A Jesus importa nossa resposta pessoa diante destas grandes perguntas: Quem sou Eu para ti?, O quê significo para ti?

92) Assim como quando Jesus foi levado diante de Pilatos e este lhe diria “Tu és o Rei dos judeus?” Jesus lhe respondeu: … (Jo 18,33-34), da mesma forma, quando nós Lhe dizemos: “Tu és o Senhor, Tu és Deus, Tu és o Filho de Deus”, Jesus nos pergunta: “Dizes isso tu, ou é porque ouviste falar?”

93) É porque teu coração Me reconhece ou porque ouviste na Igreja ou na tua família, ou em teu apostolado, entre teus amigos, etc? É produto do que te dizem ou é o que tens no teu coração?...

94) Recordemos que um dia Jesus disse: “Em verdade, em verdade te digo que a não ser que se nasça da água e do Espírito, não se pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5).

95) O que significa aqui “nascer de novo”? Nascer de novo não é apenas abandonar a vida pecadora e começar uma vida nova depois de crer em Jesus, como pensa a maioria das pessoas... embora tampouco a maioria faça isso.

96) Não há dúvida de que tudo isso é bom, mas isso não é tudo o que Ele quer nos dizer. Submergir-se na água, ou “falar em línguas” não é nascer de novo e já estar salvos, como dizem alguns grupos de outras religiões ou seitas.

97) “Nascer de novo” significa que devemos nos arrepender de nossos pecados, crer no Batismo do Senhor e no poder do Sangue de Jesus, derramado na Cruz, para receber Seu perdão em nossos corações e começar a percorrer o caminho dos justos.

98) Esta não é uma mudança que vem dos seres humanos, mas é uma transformação que vem de Deus.

99) Na Primeira Carta de São João 5,6, a Bíblia diz: “Ei-lo, Jesus Cristo, aquele que veio pela água e pelo sangue; não só pela água, mas pela água e pelo sangue. E o Espírito é quem dá testemunho dele, porque o Espírito é a verdade”.