Segunda Parte:
O Sacramento da Reconciliação

capa Providência Divina“Quem de vós que, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai em busca da que se perdeu, até encontrá-la?

E depois de encontrá-la, a põe nos ombros, cheio de júbilo, e, voltando para casa, reúne os amigos e vizinhos, dizendo-lhes: Regozijai-vos comigo, achei a minha ovelha que se havia perdido.

Digo-vos que assim haverá maior júbilo no céu por um só pecador que fizer penitência do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.” (Lc 15,4-7)

 

 

Capítulo VIII
Vós que tirais os pecados do mundo...

Na terça-feira, 8 de julho, viajamos a Cozumel, pois havíamos sido convidados a dar uma palestra ali. O Senhor me ditou uma mensagem para uma jovem, dizendo-me: “Diz-lhe que por muito tempo esperei por este momento e espero sua entrega”. Era uma jovem que foi procurar nosso diretor espiritual para fazer uma confissão de vida. Quando lhe entreguei a mensagem, ela chorou. Então o Senhor me pediu que a ajudasse.

Conversamos até a chegada do sacerdote. Quando saíam juntos de uma sala, dirigindo-se a outra para a Confissão, vi de repente que ao redor dela havia uma grande quantidade de pessoas, talvez dez ou doze, que queriam entrar com ela no recinto. Eu me surpreendi muito ao ver aquilo, mas logo compreendi que era uma experiência mística e me pus em oração.

Ouvia-se por um lado umas vozes que falavam alto, com uma música em ritmo de tambores que aturdia, e ao mesmo tempo um coro, umas pessoas que cantavam o Ave de Fátima e outro coro que, na ladainha, cantava e dizia: “Glória e louvor a Deus Criador, ao Filho Redentor, e ao Espírito Santo...!”

Ajoelhei-me e pedi que o Senhor iluminasse essa confissão. Logo ouvi um barulho de gente que gritava. Olhei imediatamente para o lugar de que provinham os ruídos e era a sacada da sala em que estava se confessando a jovem.

O que vi foi espantoso: figuras absolutamente desagradáveis, criaturas disformes, que saíam correndo e gritando e se lançavam pela sacada ao vazio. Ao ir à janela ver a queda, que foi o meu primeiro impulso, não vi a mais ninguém.

Nesse momento entrou o amigo que havia pedido ao padre a Confissão para a jovem, e ambos pudemos ouvir claramente o ruído de correntes e ferros que pareciam rasgar o teto e as paredes. Pusemo-nos a rezar, disse a ele que não tivesse medo, que são os barulhos e expressões de raiva típicos do demônio, porque uma alma lhe estava sendo tirada. Acompanhou-me uns minutos na oração, e depois precisou ir embora.

Fiquei sozinha em oração por uns minutos, não sei quantos, e logo uma luz me fez abrir os olhos. Constatei que diante de mim havia desaparecido a parede que separava a sala em que se realizava a Confissão do lugar em que eu me encontrava.

Pude ver então a jovem que estava sentada, confessando-se, porém não diante do sacerdote mas diante do próprio Jesus. Eu não via o sacerdote, era Jesus que havia tomado seu lugar. Via o Senhor de perfil, com as mãos entrelaçadas como em oração, enquanto apoiava sobre elas o queixo; mas Sua atitude era de escuta atenta.

Atrás da moça e perto da porta da sala estava o grupo de pessoas entre as quais se reconhecia uma maonja, vestida de azul e com véu negro. Perto dela, sobressaía um Anjo com as asas muito grandes, uma figura majestosa, com uma grande lança na mão direita, olhando à esquerda e à direita, em atitude de alerta. Pensei que poderia ser São Miguel Arcanjo, ou algum capitão de sua Milícia Celeste.

Ao fundo, à direita de Jesus e da jovem que se confessava, reconheci a Virgem Maria, de pé, cestida como Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, com um traje que parecia de seda, cor de pérola, e um manto de cor “tostada”, ou caramelo, com os emblemas que essa imagem usualmente tem.

Dois anjos muito altos, de pé, sustinham suas lanças em uma das mãos, observando de maneira atenta, assim como o Anjo da porta. Estavam vigilantes e alertas, como se custodiando a Virgem, que permanecida de pé com as mãos em oração, olhando para o céu, enquanto eles pareciam vigiar todo o recinto.

Havia muitos anjos pequenos que iam e vinham, como se fossem transparentes. Em dado momento, Jesus levanou a mão direita, dirigindo a palma a certa distância da cabeça da jovem. Toda Sua mão estava cheia de luz, dela saíam raios dourados que a cobriam inteiramente com todo esplendor, transformando-a. Eu via como o rosto da penitente ia mudando, como se lhe tirassem uma máscara... Vi como esse rosto duro de antes se transformava em outro mais nobre, doce e pacífico.

No momento em que o Senhor lhe dava a absolvição, Nossa Senhora fez uma genuflexão e inclinou a cabeça e todos os seres que estavam ao seu redor fizeram o mesmo. Jesus se pôs de pé, aproximou-se da penitente e então pude ver o sacerdote sentado onde antes estava Jesus.

O Senhor abraçou a jovem e a beijou no rosto. Depois voltou-se, abraçou o sacerdote e também o beijou no rosto. Nesse instante, tudo se encheu de intensa luz que desapareceu como se ascendendo em direção ao teto ao mesmo tempo que desaparecia toda a visão e me encontrava de novo olhando para a parede.

Depois de me haver concedido esta inusitada experiência mística, o Senhor me falou, dizendo:

- Se soubésseis como se transforma uma alma que fez uma boa confissão, todos os que estivessem próximos a ela a receberiam de joelhos, porque em virtude da graça santificante, está cheia do Espírtio Santo.

Quando a jovem saiu da confissão, senti um verdadeiro desejo de me ajoelhar diante dela, mas a abracei com todo o meu amor, pois sabia que estava abraçando a pessoa que o Senhor havia abraçado antes. Ela parecia diferente, muito mais jovem e muito feliz. Relatei tudo ao meu diretor espiritual e permanecemos ambos em oração, dando graças a Deus.

À noite o Senhor me pediu que me preparasse para escrever o que havia visto, em uma publicação dedicada ao Sacramento da Misericórdia: a Reconciliação; que é o presente texto.

Capítulo IX
O delicado momento da Reconciliação

Dois dias depois, o Senhor disse que continuaríamos com nosso trabalho e logo me vi em uma Igreja, diante de um grupo de pessoas que esperavam sua vez para se confessar.

Apareceram diante de meus olhos muitas “sombras”, com figuras que tinham corpo de gente mas cabeças de animais. Estas enlaçavam uma pessoa que ia em direção ao confessionário, com cordas no pescoço e na frente; enquanto isso, diziam-lhe algo ao ouvido...

Logo uma dessas sombras se separou discretamente do resto e tomou a forma de uma mulher vestida e arrumada de maneira muito provocante, que passou diante do homem que ia se confessar. Ele, distraindo-se, deteve seu olhar nela. Aqueles seres horríveis riam a gargalhadas, muito satisfeitos. Um anjo lutava com as mãos, procurando afugentar essas feras.

Outra das pessoas que esperava a confissão, uma jovem muito humilde, tinha um livrinho de orações entre as mãos, via-se que estava recolhida, lendo e então meditando... As sombras se aproximaram a certa distância mas não podiam laçá-la, parecia que o anjo que a acompanhava era mais forte do que elas (isto pensei).

Fiquei observando e, quando esta jovem terminou de se confessar, não estava mais vestida como antes, tinha um traje longo cor de pérola, quase branco, com um diadema de flores na cabeça, rodeada de quatro anjos que acompanhavam seu passo até o Altar. Tinha o rosto cheio de paz. Ali se ajoelhou para rezar, certamente sua penitência, e os anjos permaneceram com as mãos em atitude orante. Então terminou a visão e voltei a ver os móveis de minha casa.

O Senhor me disse:

- Acabas de ver duas pessoas acudindo ao Sacramento da Reconciliação. Uma que distraidamente e sem prévia preparação vai ao confessionário. Em tal circunstância, qualquer coisa que façam os maus espíritos tem mais força.

Por outro lado, a jovem esteve em oração, preparando sua confissão, pedindo assistência do céu. Por isso o demônio não pôde se aproximar dela e seu Anjo da Guarda pôde agir melhor em sua defesa, pois ela o invocava.

E acrescentou:

- Todos deveriam rezar pelas pessoas que vão se confessar, para que façam uma boa confissão, pois poderia ser a última de sua vida.

Fez-me compreender que todas as pessoas que ficavam na Igreja também poderiam ajudar com suas orações, intercedendo pelo confessor e por quem vai se confessar. Assombrei-me que pedisse orações em favor do confessor, já que dias antes eu mesma tinha visto que era Jesus quem perdoava em lugar do sacerdote.

Então o Senhor disse:

- Certamente que precisam de orações. Também estão expostos às tentações, às distrações, ao cansaço. Recorda-te de que são seres humanos.


O dom concedido ao sacerdote

Durante a noite, o Senhor me instruiu sobre o que acontece quando uma pessoa pede a confissão e não lha concedem, por negligência ou descuido. Assim disse Jesus:

- Se uma alma procura um sacerdote para se confessar, a menos que seja um caso de força maior, este está obrigado a ouvir a confissão do fiel; porque, se este pecador morre, imediatamente é admitido ao Paraíso, em virtude de seu arrependimento e desejo de purificação. Eu mesmo lhe dou a absolvição.

Mas o sacerdote que se negou a confessá-lo por comodidade ou negligência, sem ter um motivo justificável diante de Deus, terá que responder diante da Justiça Divina e dar contas por uma falta muito grave, tanto como se ele mesmo fosse culpado dos pecados que se negou a ouvir e perdoar, a menos que tenha se confessado e se emendado de sua culpa.

O sacerdote recebeu dons que não foram outorgados nem à Minha Mãe; está unido a Mim e opera em Mim, portanto merece muito respeito por parte das pessoas que vão buscar o Sacramento. Respeito no tratamento, na forma de se vestir, na forma de aceitar seus conselhos e a penitência imposta.

Por isso vos peço orações pelos sacerdotes, para que fiéis à sua vocação e à Graça que lhes é conferida em Minha própria Pessoa, (in persona Christi), concedam o perdão e a Misericórdia às almas.

Recorda, Minha filha, que tudo tem um valor relativo na terra. Algumas coisas podem ter um alto valor material e, se uma pessoa as perde, fica na ruína econômica... mas isso é tudo. Pode tentar e voltar a recuperar tudo ou ao menos algo do que foi perdido. Mas se perde sua alma, nada poderá salvá-la do fogo eterno.

 

Uma breve reflexão para finalizar

Irmão, irmã: você que chegou a este ponto de meu testemunho, já se perguntou há quanto tempo não faz uma boa e consciente confissão?

Se o Senhor tivesse que chamá-lo neste momento, você acredita que se salvaria? Você tem se dedicado conscientemente às coisas de Deus, ou tem sido um cristão acomodado, de assistir à Santa Missa dominical, mais por costume ou aparência do que por um fervor autêntico? Já se perguntou quantas almas tem ajudado a salvar? Toma sempre o cuidado de receber a Sagrada Eucaristia estando na graça do Senhor, ou você é dos que pensam que se deve confessar somente diante de Deus e não de um sacerdote?

Enquanto você lê estas linhas, haverá alguém que estará dizendo uma oração por você, para que no momento de sua morte – que chegará sem falta – você não esteja privado dos auxílios dos Sacramentos; para que com sua partida haja festa no Céu e na terra. Para que não sinta medo mas amor e júbilo!

Abra as portas de seu coração à Graça e ao perdão de que todos necessitamos! Peça a assistência da Virgem Maria para viver desde hoje conforme a Vontade do Pai!

Isto lhe deseja, no Amor Misericordioso de Jesus,

Catalina
Missionária leiga do Coração Eucarístico de Jesus
18 de julho de 2003,
dia do Preciosíssimo Sangue de Jesus (*)

 


(*) No Brasil, a data desta Festa é 1º de julho.

 

 

Nota dos editores

O presente livro é propriedade privada, no entanto se permite sua cópia, sempre e desde que se respeite o layout, as capas e se mantenha intacto o texto e o conteúdo do mesmo.

Apostolado da Nova Evangelização (ANE)
(Julho de 2003)
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A morte não é a frustração da vida. É, isto sim, o “nascimento para a vida eterna”, mas o homem se rebela e a desafia, em muitos casos a rejeita, mostrando uma preparação insuficiente para enfrentar um desenlace que orienta o destino de sua alma, para viver a eternidade junto de Deus, ou para afastar-se definitivamente Dele.

Esta perspectiva está inscrita na existência de todo homem desde sua concepção, seja crente ou não... Todos teremos que nos defrontar com a morte e ali acabará de se definir nosso destino.

A partir do relato de alguns acontecimentos vividos pela autora, este livro pretende transmitir uma nova ótica sobre este “trânsito forçoso” para todo ser humano. Trata-se de uma verdadeira ajuda, a partir da Fé, para encontrar em Deus a Paz que nos devolve a esperança.

Ao final do caminho, nossa proximidade ou afastamento de Deus marcará o verdadeiro êxito ou fracasso, definitivo e transcendental de nossa vida.